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Manifesto, Modernidade e Direito.

9 de novembro de 2008

Edmundo Lima de Arruda Junior

Presidente do CESUSC

Tudo o que é sólido e estável se volatiza, tudo o que é sagrado é profanado, e os homens são finalmente obrigados a encarar com sobriedade e sem ilusões sua posição na vida, suas relações recíprocas.

A necessidade de mercados cada vez mais extensos para seus produtos impele a burguesia para todo o globo terrestre. Ela deve estabelecer-se em toda parte, instalar-se em toda parte, criar vínculos em toda parte.

Através da exploração do mercado mundial, a burguesia deu um caráter cosmopolita à produção e ao consumo de todos os países. Para grande pesar dos reacionários, retirou debaixo dos pés da indústria o terreno nacional.

Marx e Engels

O Manifesto do Partido Comunista

1. Cento e cinqüenta anos do Manifesto: réquiem ou comemoração?[1]

Uma questão preliminar a ser levantada cento e ciqüenta anos após o Manifesto de Marx e Engels é se devemos a ele uma referência de morte ou de vida. Que a direita e pensadores liberais considerem o Manifesto como algo jurássico parece conseqüente. E as esquerdas? Militantes comunistas tradicionais guardam com o Manifesto a relação exigida por Marx e Engels, de “fé comunista”[2], embasados numa pressuposta doutrina revolucionária do proletariado. A esquerda heterodoxa não se entusiasma tanto com o catecismo do “socialismo científico”, embora vivencie uma situação de crise de identidade sem precedentes, decorrente em grande medida da velocidade estonteante nas mudanças culturais mais amplas que os processos de globalização engendram.

Como registro histórico, a obra política que é O Manifesto estará sempre viva, e a questão maior parece ser o do trabalho de resgate de alguns princípios modernos nela presentes. A hipótese esboçada neste texto é a de que tais princípios modernos presentes no Manifesto são princípios jurídicos, ou máximas para a previsão e a ação no espaço da política.

Esses princípios podem contribuir para a construção da possibilidade de uma unidade possível das lutas de trabalhadores, num mundo cada vez marcado por duplo politeísmo de valores: o politeísmo decorrente da profunda e dramática segmentação social (do mercado e da sociedade, em todas as suas esferas) que as políticas neoliberais produzem, e o politeísmo resultante de pressão e/ou políticas de reconhecimento de interesses (estejam eles já inscritos na legalidade jurídica, em vias de legalização ou simplesmente objetivando a chegada a arena pública do debate sobre diferenças).

Comemorar é revivificar, relembrar, e não necessariamente festejar os mais de 150 anos daquele fevereiro de l848. Marx e Engels (com trinta e vinte e oito anos, respectivamente), atendendo a incumbência da Liga dos Comunistas, em Londres (em dezembro de 1847), apresentaram o documento que marca a história do movimento operário e do socialismo até nossos dias, e isso merece ser comemorado.

Quanto à abrangência da tese do óbito de tudo que tem origem no espectro socialista (típicas de certas teses pós-modernas e sistêmicas), um curioso e instigante paradoxo está em que o luto parece estender-se por mais de150 anos. Quanto mais se decreta o esgotamento dos grandes relatos (metar-relatos), mais o espírito de Marx ronda as cabeças conservadoras e neoconservadoras. Quanto mais se ergue a ironia sobre quem vai pagar as despesas com o esquife socialista, mais e mais a direita neoliberal critica as esquerdas. Afinal, não há um ditado que não devemos bater em cachorro morto?

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From → Filosofia, Sociologia

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